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O SINTOMA, O INCONSCIENTE, A FALA
O sintoma de um sujeito particular é uma fala, fala amordaçada, inconsciente para o sujeito. O modo de abordagem psicanalítico consiste em elaborá-lo pela particularidade da história desse sujeito, e é sobre isso que é preciso se deter. "Uma fala inconsciente", ouvimos dizer. Também aí intervém todas as ambiguidades psicológicas. Não se trata do caráter negativo: "Isso não é consciente". O que o homem que introduziu essa palavra quis dizer com "inconsciente" é que o sujeito falante, enquanto falante, ultrapassa e extrapola em muito o sujeito consciente. Porque o sujeito fala, ainda que não saiba absolutamente nada sobre isso, com ele todo, com sua pele, com sua carne, com seu modo de tropeçar, de cometer um lapso de língua, com sua forma de se comportar na vida para que tudo sempre acabe mal. Esse é o sentido, o único sentido que pode ter o que Freud chama de "pensamentos inconscientes"
(Jacques Lacan)

Aqui, precisamente, é onde reside o valor de testemunho do que o psicanalista representa. Se a descoberta de Freud faz algum sentido, só pode ser um. Quando o homem esquece que é porta voz da fala, ele já não fala. É efetivamente o que acontece: a maioria das pessoas não fala, elas repetem, não é exatamente a mesma coisa. Quando o homem já não fala, ele é falado
"O Mito Individual do Neurótico" (Jacques Lacan)
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